«Irreconciliáveis» ou cúmplices<br>até na «caça ao voto»?
Passos Coelho afirmou, em entrevista publicada sexta-feira passada, que a «forma como o PS vem colocando o problema político e económico não é conciliável com os objectivos» do PSD/CDS. No mesmo dia, António Costa replicou que «não há nenhuma hipótese de entendimento entre o PS e esta coligação de direita».
Curioso como estão tão afinados na declaração de que são «irreconciliáveis». Não está provado que Coelho e Costa combinaram as declarações, mas lá que parece...
A «caça ao voto» visa garantir que tudo fica na mesma
E tresanda a evidência de que resultou um benefício mútuo de PS e PSD/CDS na tentativa de manipulação e imposição da bipolarização eleitoral. Aliás, ambos os declarantes «explicaram» a matéria. Costa referiu: «fico muito contente porque finalmente há uma intervenção do primeiro-ministro com a qual concordo.» Coelho afirmou: nas próximas eleições, a questão é 'saber se há maioria do Governo ou do PS» e frisou: «espero que uma destas coisas aconteça.»
A vida confirma que PS, PSD e CDS, nestes muitos anos, se consideram explícita e exclusivamente as forças «do arco do poder», de serviço às políticas de direita e às suas orientações e objectivos de classe mais essenciais; as tretas de Costa de que o PCP não está excluído foram um mero tacticismo no caminho assumido e em fase de tentativa de execução de procurar «secar o PCP». O que sempre foi, e continua a ser, fundamental e estratégico para a tríade da política de direita é a submissão à União Europeia das grandes potências, a exploração e a concentração da riqueza.
O que importa, em última instância, é que este desiderato se concretize, o que implica, para além do apetite de cada um pelo «poleiro», a disponibilidade para apoiar o rotativismo entre PS e PSD/CDS, uma alternância sem rotura nem alternativa à política de direita, ou outras soluções, se preciso for, e, ao contrário do que agora dizem, o putativo «consenso», proposto por Cavaco, para prosseguir e agravar esta política.
A cumplicidade estratégica entre PS e PSD/CDS fica clara nos programas que se vão conhecendo, no Cenário Programático do PS, nos Programas Nacional de Reformas e de Estabilidade do PSD/CDS. São programas determinados pela subordinação aos interesses dos grupos económicos e do capital financeiro e que convergem no fundamental, por muito que PS e PSD/CDS o tentem disfarçar com diferenças de pormenor, de ritmo ou intensidade – agora na privatização da TAP, ou no roubo de direitos, salários e pensões, como em todos estes anos de política de direita –, manobras tácticas para enganar alguns eleitores distraídos e prosseguir nas orientações de declínio nacional.
A «caça ao voto»
Está em marcha a grande operação de «caça ao voto» para as legislativas. O objectivo é levar uma parte do povo a votar contra os seus interesses e garantir que tudo fica na mesma, mesmo que para isso alguma coisa tenha de mudar.
O poder económico-mediático nunca foi tão longe na guerra ideológica, na ocultação e mentira contra o PCP, ao mesmo tempo que promove com toda a força o PS, como se fosse desde já o governo de serviço aos grandes interesses, projecta o PSD/CDS para lhe diminuir a inevitável derrota eleitoral e abusa de tudo o que sirva para tentar impedir o crescimento da coligação PCP-PEV.
O PSD/CDS recorre às sondagens do falso «empate técnico», à manipulação dos índices e estatísticas, às aldrabices de que «o pior já passou», das «reformas da década» e do «fim do protectorado», ao passa culpas sem vergonha de que só o PS foi responsável pelo pacto de agressão e às medidas de última hora, para segurar votos e impedir um desastre eleitoral maior que o do Parlamento Europeu.
O PS aposta tudo na bipolarização à força e na maioria absoluta, de triste memória. Nesta fase, dita de «esquerda», isso passa pela «marcação em cima» (temática e de data e local), para tapar as iniciativas e a agenda do PCP e da CDU – foi o caso no Encontro Nacional, será o caso na Marcha «A Força do Povo» – que não conseguirá ocultar. Mas há outras evidências. E são as mentiras de que é irreconciliável com o PSD/CDS e que nada tem a ver com a política da troika e o chorrilho de promessas falsas ou ditas com a perversidade de quem já decidiu nunca as cumprir, do género 35 horas em 2016, «se for possível», cumpriremos a «maioria das medidas» apontadas, etc.
Os trabalhadores e o povo não se deixarão enganar com as operações de «caça ao voto». Com confiança, com a força do povo, com a luta e a afirmação do PCP e da CDU, o PSD/CDS serão derrotados e será o princípio do fim da política de direita. Por um Portugal com futuro.